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É possível proteger emocionalmente uma gestação e um nascimento?

Cuidar não é garantir que nada difícil aconteça. É ampliar os recursos disponíveis quando a vida não acontece como planejamos.

Quando falamos sobre proteção emocional na gestação e no nascimento, pode surgir uma ideia impossível: a de que precisamos impedir qualquer medo, conflito, frustração ou imprevisto.

Não é disso que estou falando.

Proteger não é construir uma bolha.

É construir recursos.

Segurança também é participação

Durante a gestação e o parto, informação clara, comunicação respeitosa, possibilidade de participação nas decisões e consentimento importam.

Uma experiência pode ser clinicamente necessária e, ainda assim, ser vivida de maneiras muito diferentes dependendo de como a pessoa foi informada, escutada e acompanhada.

O nascimento não precisa obedecer a um roteiro perfeito para ser uma experiência de cuidado.

Mais importante do que idealizar uma via de parto é olhar para como aquele nascimento está sendo vivido.

Acolher não é corrigir o sentimento

Quando alguém está com medo, podemos oferecer informação.

Podemos ajudar a buscar apoio.

Podemos construir alternativas.

Mas nem sempre precisamos responder imediatamente tentando convencer a pessoa de que ela não deveria sentir aquilo.

Sem imediatamente tentar corrigir aquilo que a pessoa está sentindo. Às vezes, o mais importante naquele momento é a validação e o acolhimento.

Preparar-se também é conhecer a própria história

Preparar uma gestação e um nascimento não envolve apenas mala da maternidade, exames e plano de parto.

Pode envolver perguntar: o que me assusta? O que me ajuda a sentir segurança? Como costumo reagir quando perco o controle? Que histórias de nascimento existem na minha família? De quem preciso por perto?

Conhecer a própria história não garante que nada será ativado.

Mas pode aumentar a capacidade de reconhecer aquilo que aparece.

E quando alguma coisa difícil acontece?

Então cuidamos do que aconteceu.

Quando possível, o contato pele a pele e a proximidade precoce podem favorecer a adaptação e o vínculo.

Quando isso não é possível porque bebê ou gestante precisam de cuidados, não precisamos transformar a separação em uma sentença.

Podemos favorecer reencontro, presença, toque, cuidado e vínculo quando as condições permitirem.

Também podemos cuidar da experiência emocional dos adultos envolvidos.

Talvez proteger emocionalmente o início da vida não seja construir uma história sem rupturas.

Talvez seja construir uma história em que, quando houver rupturas, também existam possibilidades de cuidado, vínculo e reparação.

Patrícia Della Torre de Oliveira

Referências

  • Moore ER, Brimdyr K, Blair A, et al. Immediate or early skin-to-skin contact for mothers and their healthy newborn infants. Cochrane Database of Systematic Reviews. 2025.
  • Trombetta T, et al. Pre-natal Attachment and Parent-To-Infant Attachment: A Systematic Review. Frontiers in Psychology. 2021;12:620942. doi:10.3389/fpsyg.2021.620942.

Referências selecionadas pela própria Patrícia.

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