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Psicoembriologia e Psicologia Pré e Perinatal

Experiências iniciais podem influenciar trajetórias, mas não escrevem uma sentença definitiva sobre quem seremos.

Nossa história não começa quando nascemos.

Muito antes de conseguirmos contar o que vivemos, nosso organismo já estava em relação com um ambiente. Durante a gestação, o bebê se desenvolve em constante interação com o corpo materno, recebendo estímulos hormonais, sensoriais e ambientais que participam do seu desenvolvimento.

Hoje, diferentes áreas da ciência investigam como experiências ocorridas durante a gestação e nos primeiros anos de vida podem se relacionar ao desenvolvimento do sistema nervoso, à regulação do estresse, ao vínculo e a aspectos posteriores do desenvolvimento emocional.

Isso não significa que aquilo que acontece no útero determine quem uma pessoa será.

Significa que nossa história começa antes daquilo que conseguimos lembrar.

A Psicologia Pré e Perinatal volta seu olhar justamente para esse período: gestação, nascimento e primeiros anos de vida, considerando não apenas o bebê, mas também a gestante, os pais ou cuidadores, os vínculos, a rede de apoio e todo o contexto emocional e familiar que envolve a chegada daquela criança.

A Psicoembriologia amplia esse olhar para as experiências relacionadas à concepção e ao desenvolvimento embrionário. Dentro da perspectiva integrativa com a qual trabalho, considero também dimensões subjetivas, corporais, relacionais e energéticas dessa experiência.

Aqui, faço uma distinção que considero importante: nem tudo o que utilizo como lente de compreensão pertence ao mesmo campo de conhecimento. Há fenômenos estudados pela neurociência, pela psicologia do desenvolvimento e pela epigenética; há construções teóricas próprias da Psicologia Pré e Perinatal e da Psicoembriologia; e há uma dimensão energética e espiritual que faz parte da minha compreensão integrativa do ser humano.

Não preciso reduzir uma dimensão à outra para que elas possam conversar.

O que me interessa é compreender de que maneira nossas primeiras experiências podem participar da história que construímos — sem transformar origem em destino.

Porque experiências iniciais podem influenciar trajetórias, mas não escrevem uma sentença definitiva sobre quem seremos.

Patrícia Della Torre de Oliveira

Referências

  • Mandl S, Alexopoulos J, Doering S, Wildner B, Seidl R, Bartha-Doering L. The effect of prenatal maternal distress on offspring brain development: A systematic review. Early Human Development. 2024;192:106009. doi:10.1016/j.earlhumdev.2024.106009.

Referências selecionadas pela própria Patrícia.

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