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Como aprendemos que o outro é um lugar seguro?

Antes de aprendermos a explicar o que precisamos, aprendemos alguma coisa sobre o que acontece quando precisamos de alguém.

Um bebê não consegue sobreviver sozinho.

Quando sente fome, medo, dor, frio ou desconforto, precisa de alguém.

Buscar proximidade não é fraqueza.

É uma estratégia de proteção. É sobrevivência.

John Bowlby propôs que os seres humanos possuem um sistema de apego que se torna especialmente ativo diante de ameaça, separação ou sofrimento. A proximidade de uma figura protetora ajuda a criança a recuperar segurança.

Segurança também permite explorar

Uma relação segura não serve apenas para manter a criança próxima.

Quando existe uma base à qual é possível retornar, explorar o mundo pode se tornar menos ameaçador.

A criança se afasta, experimenta, olha para trás, volta, recebe apoio e parte novamente.

É uma dança entre proximidade e exploração.

Mas as experiências não são iguais para todas as crianças

Os adultos variam em disponibilidade, sensibilidade e capacidade de responder.

As crianças também possuem temperamentos, necessidades e contextos diferentes.

Com o tempo, diferentes estratégias relacionais podem se organizar.

Algumas crianças buscam o adulto com facilidade. Outras podem reduzir sinais de necessidade, intensificá-los ou apresentar respostas menos organizadas diante de situações de estresse.

Essas diferenças serão aprofundadas no próximo artigo.

Estratégia não é identidade

Uma classificação de apego não descreve uma pessoa inteira.

Também não autoriza reconstruir automaticamente sua infância a partir de um comportamento adulto.

Ela oferece uma lente para investigar expectativas e estratégias construídas nas relações.

E estratégias podem apresentar continuidade, mas também podem mudar com novas experiências.

Talvez segurança não seja nunca precisar do outro.

Nem precisar ter certeza de que o outro jamais irá embora.

Talvez segurança seja descobrir que posso criar vínculo sem precisar desaparecer dentro dele — e sem precisar desaparecer dele.

Patrícia Della Torre de Oliveira

Referências

  • BOWLBY, J. Attachment and Loss: Vol. 1. Attachment. 2. ed. New York: Basic Books, 1982.
  • MADIGAN, S. et al. Maternal and paternal sensitivity: Key determinants of child attachment security examined through meta-analysis. Psychological Bulletin, 150(7), 839–872, 2024. DOI: 10.1037/bul0000433.
  • MIKULINCER, M.; SHAVER, P. R. Attachment in Adulthood: Structure, Dynamics, and Change. 2. ed. New York: Guilford Press, 2016.

Referências selecionadas pela própria Patrícia.

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